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Dona Nilza Macedo Varela, regressa e visita a sua Djabraba
Dona Nilza Macedo Varela, chega a sua querida Djabraba pela segunda vez desde a sua imigração aos Estados Unidos, em Janeiro de 1976. Tinham decorridos apenas 5 meses após a independencia, quando deixara Cabo Verde.
Regressa pela primeira vez em Julho de 1988, 12 anos após ter chegado e fixado residencia na cidade de Brockton, Estado de Massachusetts, acompanhada do seu marido, Sr. Ulisses Pais Varela, que foi professor e escrivão do Tribunal da Brava, e de seus 8 filhos: Maria Conceição (Saozinha), Helder, Carlos, Lú, João Olivio, Tereza, Tony, e José Rui (Zé). Actualmente continua vivendo na cidade de Brockton.
Uma vez mais, com a bonita idade de 80 anos, decorridos 24 anos desde a sua vizita, acompanhada dos filhos António, Tereza e João Olivio, não queria que essa oportunidade lhe falhasse de abraçar novamente a terra que a viu nascer, a sua casa, o seu berço natal, a sua ilha que um dia, tão tristemente deixara, e hoje regozija-se de alegria e satisfação a tão esperado regresso, ao regaço, ao berço que um dia lhe acalentara e que deixaram nela gravadas profundas e belas recordações.
Como nos conta não pode esconder a alegria e a emoção que agora sente em entrar na sua casa, a casa de seus pais, e de seus antepassados, onde nasceu e cresceu acompanhado da sua linda familia, formada de 4 irmãos, Quimquim, Cacai, Alceu, Olavo, e de 4 irmãs, Lourdes, Palmira, Fanduca e Djeny, todos imigrantes nos Estados Unidos, com a excepção da irmã Lourdes que vivia em Portugal. Diz sentir-se muito contente ao ver como a sua casa ficou, após ter sofrido nos últimos anos uma remodelação completa, sob a orientação do filho, Tony, que sempre nos vizita, dando-lhe o novo rosto mas tentando manter a arquitetura original.
Como todo o imigrante e mãe, a adaptação é sempre dificil, em especial quando se imigra com uma certa idade. Mas diz que o sofrimento da integração teve a sua recompensa. Pois na qualidade de mãe de 8 filhos, e todos actualmente residents nos Estados Unidos, sente-se realizada por te-los a sua volta, hoje casados, as suas noras, genros, netos e bisnetos, todos bem estabelecidos e integrados na nação que os acolheu, com toda a sua potencialiade, e que tão bem souberam aproveitar.
Nesta curta estadia, já vizitou lugares, pessoas amigas, e muitas outras que ainda se recordam dela. Diz que encontrou uma Brava com aquele seu encanto de sempre, com a sua beleza e frescura. E mais, com a sua gente “morabi”, que apesar de alguns mais novos não a conhecem, mas encontrou nelas aquela amizade peculiar e o carinho singular “qui na Cabo Verde, é só di Djabraba”.
E como cantou Armando de Pina “ Ai Djabraba an ca negabu” dona Nilza, diz que parte outra vez, mas nunca negando ou esquecendo “sé Djabraba”, despede-se com a mesma saudade, com o mesmo sentimento que a viu partir “di cais di Furna’ há 36 anos passados. Mas pede a Deus que lhe dê saúde para ainda poder voltar uma vez mais e ser capaz de “braçá” a sua Djabraba e as suas gentes que sempre com ela traz no seu coração.
Despede-se de todos deixando um abraço de saudade!
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